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1º – EXPLICAÇÃO

UM – ADÓNIS

adónis é | um | um torso | no louvre | e | o louvre é em paris | e | o torso é romano | o torso é de adónis | e | adónis | o torso de adónis romano | está patente no museu | no do | do louvre | em frança | adónis é um mito | um mito | um | fenício | e | um mito | um | grego | então adónis encheu as páginas dos jornais | os jornais | os dos jornais | e | os | nos diziam que | que adónis | era um jovem | um | jovem | um | efebo | de grande | de enorme | beleza | adónis | e | a sua beleza | a beleza de adónis | nasceu | nasceu por via | por | de relações | de incesto | de relações de | incestuosas | relações | relações que | e | que | que o rei cíniras | o rei de chipre manteve com | com a sua filha mirra | e | mirra gerou adónis | e | adónis era fenício | e | também | grego | adónis é mesmo | em absoluto | em absoluto | e |mesmo | um mito | e o mito de adónis envolve outras figuras | adónis está envolvido com vénus | adónis envolveu-se com perséfone | adónis | enfim | amava afrodite | afrodite amava adónis | e | perséfone amava adónis | que amava afrodite | e | afrodite disputava adónis | e | adónis era disputado por afrodite | e | afrodite era a favorita de adónis | e | ainda menino | adónis despertou a paixão de afrodite | e | perséfone | e tiveram | tiveram de se | tiveram de se submeter | tiveram de submeter-se | à | à sentença de zeus | e zeus | zeus | este | zeus estipulou | estipulou que | que ele | ele é | é adónis | e | adónis passaria | passaria por um terço | por um terço do ano | um terço com cada uma delas | mas adónis | adónis que | que preferia afrodite | permanecia | permanecia com ela | com afrodite | com a deusa afrodite | o terço restante | e | daí o mito | nasce do mito | o ciclo | o anual ciclo | o | o da vegetação | o | o mito da | o mito duma | e | das | das sementes | as que permanecem sob a terra por | por precisamente | quatro meses

um ponto um – adónis e as deusas

a deusa grega afrodite | deusa grega | do amor | e | deusa | e | grega | e | da beleza  | apaixonou-se por ele | por adónis | e | o deus | o ares | o da guerra | o deus amante da deusa | de afrodite | sentiu-se | sentiu a | a traição | a traição da deusa | e | decide atacar | atacou adónis | com | com um | com um javali | e | o javali | o javali matou | matou adónis | um golpe | um fatal | um fatal golpe | na | na anca | a anca | a de | de adónis | e | o sangue | o que | o que jorrou | se | se transformou | se virou | se viu numa anémona oh…! oh..! oh.! oh! e afrodite | a que | a que corria | por entre | por selvas | para | para socorrer | o | o seu amante | feriu-se | e ao ferir | ao ferir-se | o sangue | o que lhe | o que escorria | escorria das feridas tingiu | porque atingiu todas | todas as rosas brancas

de vermelho

versão outra | versão do mito conta | e | conta que a deusa | a afrodite | transmudou | transformou | o | o sangue | o sangue de | do | adónis numa anémona

o
o jovem
o já morto
adónis desceu
ao submundo o de
hades e de perséfone
e perséfone apaixonou-se
por ele pelo jovem pelo adónis
o que causou um grande desgosto a
afrodite e as duas deusas tornam-se rivais

nem mais

 

um ponto dois – já no hades

já | já lá | já no hades | e | no | no início | mesmo no início | digamos | inicialmente | perséfone | compadecida que | que estava | pelo sofrimento de | de afrodite | prometeu | e | prometeu | mesmo | restituí-lo | mas com | com uma condição | e | a condição era | adónis | o lindo jovem | jovem e belo | belo morto | morto como | gostam os deuses | o jovem passaria | passaria seis meses | seis meses no submundo | com perséfone | com | com ela | e | outros seis meses | seis | na terra | com | com afrodite | e o acordo | esse acordo | foi desrespeitado | o que | causou | o que provocou | mesmo | nova discussão entre as duas deusas

que
que só
terminou
com zeus que
determina mesmo
que adónis seria livre
livre quatro meses no ano
passaria quatro com afrodite
os restantes quatro com perséfone

um ponto três – a divindade

adónis | adónis tornou-se | adónis tornou-se símbolo | o símbolo da vegetação | o que morre no inverno

desce ao submundo e junta-se a perséfone e regressa à terra na primavera

para se juntar a afrodite

adónis tornou-se uma sombra porque a alma dos deuses são sombras e imortais a alma dos humanos morre o corpo esse… não morre. transforma -se

os deuses não morrem e… adónis é a divindade oriental da vegetação divindade ctónica que cumpre o ciclo da semente ainda que seja mais conhecido como divindade grega adónis é, todavia, de origem síria – ele é tamuz – o deus eternamente jovem o da vida e o da morte associado ao calendário agrícola, adónis terá origem semítica – adonai – meu senhor ele é a encarnação do grande sincretismo religioso produzido pelos gregos

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2º – EXPLICAÇÃO – OUTRA EXPLICAÇÃO

UM – perséfone

uma outra explicação do ciclo com a deusa como protagonista

perséfone

perséfone – a figura central dos mistérios – o mito – o da rainha do submundo a rainha e a esposa esposa de hades – senhor do submundo é a deusa filha um jogo duplo – mãe-filha – demeter-perséfone é ainda a fertilidade o despertar da natureza – primavera e é a morte a sua viagem para o hades – outono

um ciclo bem explicado pelo mito o mito do rapto

um ponto um – o rapto de perséfone



perséfone | é | também | também kore | a inocente filha | a filha de demeter | demeter a deusa | e | perséfone | perséfone colhe flores | colhe com as ninfas | a ninfa artemis | a ninfa atena | as ninfas outras | e | avista | senão quando | quando avista uma bela flor | uma bela flor que | uma bela flor nunca antes vista | uma bela flor que lhe enche | e | enche o coração | um coração de felicidade |  tinha | tinha de a levar | aquela | bela flor | mostrá-la às | e às ninfas | e à mãe | mostrar mas | mas mostrar e | e ela não sabia | não sabia a história da flor

não sabia a história da flor

não sabia a história da flor

não sabia a história da flor

não sabia a história da flor



narciso | era a flor do | a flor do narciso | que tinha | e tinha | aí | posto aí | aí | zeus | a flor do narciso |  que tinha | que tinha posto | posto zeus aí | era uma armadilha | uma armadilha | de zeus | para que | para que ela | para que ela fosse | para que ela fosse levada | para o | o hades | no hades se tornasse | se tornasse esposa | a do deus do submundo

e
foi
isso que
aconteceu
e
na sua inocência
perséfone colhera a flor
e logo de imediato abriu-se
o chão e hades surgiu no carro
puxado por cavalos assustadores e a
submeteu levou-a para o submundo sem

um ponto dois – das diligências de demeter

gritou perséfone | gritou o medo | e | o medo percorreu os mares | e o medo percorreu | percorreu os céus | e o medo gritado | chegou à gruta | a gruta onde hécate morava | morava ainda | e o grito | o grito foi ouvido | sentido por hélios | hélios o que tudo vê | e | por demeter que correu no pânico até | até sua filha que não viu | e quando | quando não viu | demeter desesperou | e | não vendo | percorreu a terra | não viu |  a filha | errou em demanda | errou por nove dias | errou por nove noites | e | chegou | entrou na gruta | a de | de hécate | e | contou | contou-lhe o passado | e a deusa | a deusa informou-a | do grito | do grito do medo | o medo que ouvira | e | com ela foi | foi até hélios | e | hélios lhes contasse o visto | o visto por hélios e o deus o fez 

e demeter correu a zeus

e demeter e demeter exigiu e demeter exigiu que e demeter exigiu que libertasse e demeter exigiu que libertasse a filha e demeter exigiu que libertasse a filha do

submundo

porém zeus não podia não queria interferir nos equilíbrios porque o que vai para a sombra por vontade de hades aí permanece e deve permanecer então demeter em desespero percorre a terra e chega a eléusis onde é acolhida e perséfone abandonada à sua triste sina e assustada lá no submundo recusava a comida e as ofertas de hades porque perséfone tinha medo daquele deus assustador demeter porém toma conta do filho do governante de eléusis e chega mesmo a tentar fazê-lo imortal mas a terra perecia porque sem a deusa a regar as plantas as plantas não cresciam apenas morriam e a terra passou pela pior seca de sempre e a ameaça do fim da vida do planeta era gritante o que alarmou zeus então o soberano do olimpo resolveu enviar hermes ao submundo para ir buscar perséfone

e hades lá cedeu mas ofereceu na despedida uma romã o fruto de eleição de  perséfone um presente e a deusa inocente comeu um único bago o que já foi suficiente a partir daí ficou ligada ao submundo

para sempre

um ponto três – a solução de zeus

zeus | o soberano zeus | zeus encontrou a formula | e | a formula foi | foi um | um não quebrar | não quebrar o equilíbrio | não quebrar e agradar | agradar a demeter  | agradar a hades | metade | metade do ano perséfone está com hades | demeter | triste na terra | demeter não cuida | não cuida das plantas | não cuida e é o outono | e é o inverno | outra metade do ano perséfone volta e a primavera virá com ela – 

o ciclo é cumprido

vai vem vai e vem periodicamente – do mundo subterrâneo à superfície e da superfície ao mundo subterrâneo

morta   ou  viva

as leis da percepção visual permitem atingir e gerar sensações de movimento sem prescindir do ideal. da beleza.

perséfone é uma alma perséfone é      a alma quando imagino a minha morte a minha alma morre.  o corpo, porém, permanece.  a razão…? a razão é sempre outra. a razão é uma porta entreaberta que, dispara… que segue o sistema com o qual se pode operar e alcançar visões surpreendentes e também, neste caso, sair de forma airosa do repto – o enfrentar a arquitectura e… os ritos o que mais nos impressiona é a forma… o movimento de fora para dentro e de dentro para fora

acto introvertido, intimo, absorvente. um acto. e o acto choca. liga e assenta na reconfortante crença de que  morre a alma e, o corpo, continua indefinidamente na roda. a da vida. a que gira… sem fim   ao alcance  do caos

a fertilidade e a esterilidade a vida e a morte a luz e a obscuridade

a grande disputa  ………………………. entre os deuses

deméter e hades  querem-na  querem perséfone

há… um pensamento

alma penada – alguém que pena por ter alma  alma…  janela aberta ao infinito onde pairam os deuses imortais e uma romã

– hades cedeu mas antes, ofereceu uma romã a perséfone como presente de despedida. a deusa comeu um só bago. foi o suficiente… ficou ligada para sempre ao submundo.

- zeus encontrou a formula de não quebrar…  assim agradar a demeter e a hades. metade do ano perséfone está com hades no submundo demeter, banhada pela tristeza, não cuida das plantas – é outono e inverno.  mas perséfone regressa à superfície e a primavera marca a sua chegada.

o ciclo é a viagem

submundo <———-> terra